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1º GRAU - AULA Nº 2
1º GRAU - AULA Nº 2

Escute, meu irmão em Cristo Jesus – o OXALÁ dessa mesma Umbanda de todos nós, que, por certo, é umbandista tanto quanto quem mais o seja: não importa que você tenha o grau de um médium-chefe (tido como chefe-de-terreiro, pai-de-santo, babá etc.), um simples médium, um Diretor de Tenda, Centro ou Cabana ou apenas um filho-de-fé! Você sabe o que é Umbanda? Sabe para você? Sabe para explicar?

 

Você deve saber, no seu íntimo, para si, para seu entendimento, mas é possível que não saiba explicar para os outros e você tem a obrigação, o dever de saber isso direitinho...

 

Façamos um trato (o autor e você que está lendo), vamos recordar, da maneira mais simples possível, as coisas de Umbanda.

 

Comecemos por nos reportar à origem histórica, mítica e mística da Umbanda propriamente dita e para isso temos que nos aprofundar no passado de duas "raízes" uma, é a dos cultos afros e a outra é a "raiz" ameríndia ou de nossos índios, denominada de culto ou "adjunto da Jurema".

 

Primeiro, vamos qualificar como culto africano a todo sistema religioso que os negros trouxeram para o Brasil, que se subentende como os vários rituais de suas nações de origem, assim como o nagô, o kêto, o gêge, o angola, o Bantu etc.

 

Isso aconteceu, é claro, logo após o descobrimento do Brasil, quando o branco começou a descarregá-los por essas terras brasileiras, como escravos, trazidos de várias regiões da África.

 

Qual então o sentido religioso, mítico e místico dos africanos através de seus rituais de nação?

 

De um modo geral eram monoteístas, pois adoravam a um DEUS-ÚNICO, chamado, por exemplo, entre os nagôs, de OLORUM e entre os angoleses de ZAMBY ou Zambyapongi etc. Veneravam também a "deuses", como emissários desse mesmo Olorum, aos quais denominavam de ORIXÁS (estamos exemplificando mais com a predominância nagô (1: Repetimos: foi, positivamente, estudado, reconhecido, constatado que, desde o princípio da escravidão no Brasil, foram os entre nagôs que dominaram o aspecto religioso, linguístico etc., entre as outras nações negras, especialmente - como escreveu Nina Rodrigues - "na Bahia, os nagôs assumiram a direção das colónias negras, impuseram-lhes a sua língua e as suas crenças etc.". Citar mais deuses de outros cultos é criar confusão.), pois foi a que dominou positivamente, quer no aspecto religioso, quer no da língua, entre as demais nações africanas aqui no Brasil, bem como, foi o sistema que mais influenciou — tanto quanto o ameríndio — por dentro dessa corrente humana dita como dos adeptos dos cultos afro-brasileiros).

 

Os Orixás, para os africanos, eram (e são ainda) considerados como os senhores de certas FORÇAS ELEMENTAIS ou dos Elementos da Natureza.

 

Assim é que ergueram um vasto Panteão de deuses.

Eis a discriminação simples desses Orixás, com seus respectivos atributos, para que os irmãos umbandistas tenham a noção clara da questão, a fim de, quando chegar a vez, possa discernir com facilidade o que é a Umbanda propriamente dita.

 

OS ORIXÁS OU "DEUSES" VENERADOS:

(Concepção dos nagôs):

 

OBATALÁ — O filho de OLORUM. O pai da humanidade (da nossa, é claro). UM

ORIXALÁ, isto é, aquele que está acima dos Orixás, é um grande deus.

Posteriormente, ou seja, aqui no Brasil, recebeu a designação de OXALÁ (termo que é uma contração do outro). Obs.: Já pela influência ou pressão do clero, foi "identificado" com 0 SENHOR DO BONFIM, da Bahia, o mesmo que JESUS. Isso foi o começo do chamado sincretismo ou similitude.

XANGÔ — Deus do Trovão, do Raio, ou seja, do fogo celeste. Dentro do sincretismo passou a ser assimilado a S. Jerónimo da Igreja.

OGUM — Deus do Ferro, da Guerra, das Demandas. Dentro do sincretismo passou a ser assimilado, ora a Santo Antônio (na Bahia), ora a S. Jorge, em outros Estados.

OXOSSI — Deus da Caça, dos Vegetais etc. Dentro do sincretismo, passou a ser assimilado a S. Sebastião da Igreja.

YEMANJÁ — Deusa das ÁGUAS (na África é a deusa do rio Oxun). Dentro do sincretismo passou a ser assimilada à Virgem Maria, da Igreja (Segundo uma lenda corrente entre os nagôs, dos seios de Yemanjá — a dona das águas — nasceram dois rios extensos, enorme, que se uniram, formando uma monstruosa lagoa. Do ventre dessa lagoa, nasceram todos esses Orixás, isto é, menos Obatalá, Ifá e Ibejé, que têm outras lendas, outros conceitos etc.).

OXUN — Deusa do rio Oxun. Dentro do sincretismo, passou a ser assimilada à Nossa Senhora da Conceição, da Igreja.

IFÁ — O Mensageiro dos "deuses". O Oráculo dos Orixás. O Adivinhador.

DADÁ - Deusa dos Vegetais

OLOKUN — Deus do Mar.

OKÔ — Deus da Agricultura.

OLOCHÁ — Deusa dos lagos.

OBÁ — Deusa do rio Obá.

AGÊ-CHALAGÁ — Deus da Saúde.

OIÁ — Deusa do rio Níger.

CHAPANÃ — Deus da varíola, da peste etc.

OKÉ — Deus das Montanhas.

AGÉ-CHALUGÁ .com outro atributo), AJA ou Aroni, OXANBY ou Oxanin - os deuses da medicina - os que podiam curar etc.

 

Bem, meu irmão umbandista, por aí você já pode ir começando a analisar os aspectos dessa "raiz" e mesmo o porquê de somente cinco desses Orixás ou desses termos representativos de Forças ou Potências, milenários, tradicionais, remotíssimos, terem sido conservados no conceito interno, oculto, ou melhor, de adaptação oculta do astral, por dentro da Lei de Umbanda, quando chegarmos à questão das verdadeiras Linhas ou das Sete Vibrações Originais dessa Lei.

 

Assim é que, em seus rituais de nação estamos exemplificando sempre com de nagô — tocavam o adarrum, espécie de toque especial de atabaques, para chamar os seus Orixás. Esses atabaques eram preparados cuidadosamente, dentro de certo segredo, tudo envolvendo cânticos, ervas e certa fase da lua e tinham a denominação de RUM (que era o maior), RUMPI (que era o de tamanho médio) e o menor dos três, LÊ. Esse toque especial com esses três atabaques era para que se desse o transe desse o transe (o animismo fetichista — de Nina Rodrigues) mediúnico, quer no Babalorixá, quer numa filha ou filho-de-santo. Tudo isso era acompanhado de danças expressivas (apropriadas a cada Orixá), palmas, cânticos, ditos também como pontos etc.

 

E era sempre assim, dentro de um ritual rotineiro, que o Babalorixá ou o Babá — depois chamado de "pai-de-santo" e a Ialorixá, também chamada de "mãe-de-santo" ou mesmo uma Iaô, o mesmo que inicianda ou "filha-de-santo" etc., podiam ficar possuídos pelo "seu orixá'...

 

Todavia, se qualquer um desses "caísse com o santo" (o mesmo que se entender como ficar mediunizado) ou com o "seu orixá", todos sabiam que não era o Orixá — o deus Xangô, Ogum, Oxóssi etc. Era um ancestral enviado do Orixá, porém representava a sua força.

 

Quer o Orixá, que para eles era (e é) um ser-espiritual altamente situado perante Olorum ou Deus, quer o seu enviado (o Orixá intermediário) que, para eles, também era um espírito muito elevado, nunca tinham encarnado, isto é, jamais haviam passado pela condição humana.

 

Todo esse ritual, com suas evocações, suas práticas, era (e ainda deve ser) quase sempre acompanhado de oferendas simples ou especiais chamada depois de "comida-de-santo" — tudo de acordo com a ocasião da festa ou da cerimónia que se fizesse necessária. Também era comum, antes de iniciar o ritual propriamente dito, fazer um ebó, espécie de despacho, que envolvia, desde o sacrifício de animais até o seu aspecto mais simples, com pipocas e outras coisas.

 

Então cremos ter ficado bem claro, nessas linhas gerais, que os africanos trouxeram suas concepções bem definidas, com seus deuses, seus rituais, suas práticas e, especialmente, todo um sistema de oferendas aos Orixás, que envolviam elementos materiais, inclusive o sacrifício de animais, com sangue etc. (essa questão de oferendas ou "comida-de-santo" será analisada e esclarecida na parte que trata de magia e oferendas).

 

Agora, meus irmãos umbandistas especialmente a você que se diz ou é Babá, Tata ou médium-chefe, cremos que já chegou ao seguinte entendimento: No culto africano puro, em seus ritos, só evocavam Orixás, ou seja, os espíritos enviados deles que (estavam convencidos disso) nunca tinham encarnado, porque, aos espíritos ditos como EGUNS (ou egungun), eles repeliam, ou melhor, não eram aceitos de forma alguma. Como EGUNS (guarde bem isso), consideravam ou qualificavam a todos os espíritos de seus antepassados, as almas dos mortos, enfim, a todos que já tinham sofrido o processo da encarnação.

 

PORTANTO, OS ESPÍRITOS DE "CABOCLOS, PRÊTOS-VELHOS, CRIANÇAS" ETC., SERIAM REPELIDOS, PORQUE ERAM EGUNS. Todos esses são espíritos-velhos", porque já encarnaram dezenas, centenas de vezes.

 

E para que os "fundamentos" dessa "raiz" fiquem bastante reavivados na mente de todo umbandista, vamos repisar o seguinte:

 

Babalorixá — espécie de sacerdote do culto nagô. Interpretação dada:  “pai de santo” – o "chefe-do-candomblé.

Babá — diminutivo do têrmo acima, que tanto pode designar o homem como a mulher, sacerdote ou sacerdotisa. Interpretação: "pai ou mãe-de-santo".

Babalaô ou Babalawô espécie de adivinho ou sacerdote do culto de Ifá.

Ialorixá - espécie de sacerdotisa. Interpretação dada: "mãe-de-santo" — a "dona do candomblé".

Iaô ou Yawô - espécie de inicianda. Interpretação dada: "filha-de-santo".

Ogan - espécie de protetor do candomblé, que fornecia os meios financeiros para as festas etc. Era escolhido pelo Babá e confirmado pelo "orixá".

Ogan de atabaque - a pessoa que conhecia os segredos dos toques para os Orixás.

Cambondo - dito como cambono, espécie de tocador de atabaque nos candomblés de angola (depois, em consequência das deturpações, passou a ser qualificado, nos "terreiros", como auxiliar dos protetores, isto é, aqueles que se ocupam de servir às pessoas mediunizadas.

Candomblé - o local onde se faz o "terreiro". Onde se processam os ditos ou as cerimónias.

Candomblé de caboclo - ritual onde predomina as evocações para os encantados o mesmo que os caboclos.

Ilu — atabaque de um modo geral.

Matança - sacrifício de animais para os Orixás e para Exu também.

Pêji — o altar ou o santuário dos candomblés, dito, também, como "Conga".

 

E ainda, para a necessária diferenciação:

 

Padrinho - diz-se, também, como "pai-de-santo" no "candomblé de caboclo".

Como padrinho ou compadres também tratam aos exus, quando no "reino”.

Tata ou tata de inkice — interpreta-se também como "pai-de-santo" (Congo e Angola).

Mamêto de inkice - interpreta-se também como "mãe-de-santo" (Congo e Angola).

Encantado - interpreta-se também como Orixá, no "candomblé de caboclo" e no "catimbó" como os espíritos "protetores", chamados de "mestres" etc.

 

MISTÉRIOS E PRÁTICAS DA LEI DE UMBANDA

2º EDIÇÃO LIVRARIA FREITAS BASTOS S.A.

W. W. da Matta e Silva