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29- Considerações Sobre a Era Pós Matta e Silva
29- Considerações Sobre a Era Pós Matta e Silva

           Considerações Sobre a Era Pós Matta e Silva

 

Rio, 29 de março de 2016

Não é necessário ter um conhecimento profundo de magia na Umbanda, para se perceber, que a atmosfera do movimento umbandista, dito como esotérico, segue intoxicada pela soberba sem limites, com delírios de poder abertamente expostos por muitos que inclusive, já leram os sete alertas capitais dados por Preto-Velho nas suas ´´Sete Lágrimas de Pai-Preto´´, mas, que infelizmente, ganharam eco em muito poucos seguidores que acreditaram e procuraram, verdadeiramente praticar, o que se encontra naquelas sábias palavras....

Ora, observamos no universo do movimento esotérico umbandista que vem sendo estabelecido na era pós Matta e Silva, que vários indivíduos, no seu esforço de serem protagonistas do legado deixado pelo velho Matta, ao se reafirmarem como "pais-de-santo" ou "mestres de iniciação" mesmo que de forma indireta ou velada por certas entrelinhas, usam das prerrogativas funcionais que estes postos na Umbanda estabelecem, para encaminhar um regime com grande intensidade autocrática nas coisas da Umbanda, o qual não reconhece limites à sua suposta autoridade, passando assim a querer regulamentar segundo suas ideias personalísticas, certos aspectos da Doutrina de Umbanda, que se fez visível para nós através de Matta e Silva.

 

"Doutrina do Tríplice Caminho" na Raiz de Guiné: procede?

Por exemplo, tivemos a chamada ´´doutrina do tríplice caminho´´ que foi patenteada por Francisco Rivas Neto  como uma revelação ou encaminhamento inédito e revolucionário na Umbanda Esotérica. Todavia, quando refletimos mais de perto acerca das considerações essenciais feitas por Sant Yves d´Alveydre sobre o conhecimento superlativo (que diz respeito ao lado Divino que constitui o universo), sobre o conhecimento relativo ou comparativo (que versa sobre as Leis Universais) e sobre o conhecimento positivo (que se relaciona aos fenômenos naturais), constatamos que: ao contextualizar essas perspectivas com a perspectiva apresentada por Matta e Silva sobre a Cosmologia (a ciência ou sistema de formação do universo), sobre a Lei do Verbo através das correlações dos alfabetos sagrados com a Lei de Pemba e, sobre o que foi por ele resgatado sobre certas leis expressas na prática da magia na Umbanda, observa-se que:

- Segundo nos apresentou Matta e Silva, a Ancestralidade da Umbanda em sua Proto-Síntese Relígio-Científica representa através da composição arqueométrica, as formas de manifestação da vida e da magia, as quais encontram-se consubstanciadas em seus elos de expressão viventes na Lei (expressos na Grafia dos Orixás), estando ainda, por via de determinada macro-organização astral superior, hierarquicamente, matematicamente e sonometricamente organizados e situados com plena integração e interdependência sob a Égide dos Sagrados Mistérios da Cruz, sendo assim revelados como: expressões das Sete Potências Divinas ou Vibrações Originais -- Os Sete Orixás -- os quais coordenam as Forças que partem dos 4 (quatro) cantos do mundo através da luz (Tantra), do som (Mantra) e do movimento (Yantra) simultaneamente em unicidade.

O que isto significa no sentido desta discussão?

- Significa que em qualquer ritual ou prática ritualística da Lei de Umbanda, estes três elementos – Tantra, Mantra e Yantra --  estão necessariamente presentes em unicidade, já que se manifestam como uma unidade indivisível, sendo, portanto, uma espécie de átomo primordial, para a consecução da magia nas suas diversas formas e modalidades de adaptação e apresentação, para a efetiva mobilização ou operação do fluido matriz magnético (que é imanente ao processo magístico).

Portanto, o que existe de novo sob a luz do sol nisso tudo?

Resposta: nada...

Mantra, Tantra e Yantra sempre foram e são movimentados em qualquer magia aqui no plano terra. Pode-se chamar isso de ´´doutrina do tríplice caminho´ ou de outros tantos nomes que se queira dar, mas, na Umbanda, isso tem sido chamado com simplicidade de: magia...Eis que entendemos que a concepção da "doutrina do tríplice caminho" exposta por Rivas Neto é uma leitura e prática tão somente balizadas na sua forma particular ou pessoal de encaminhar este tipo de ritual, limitados ao seu ponto de vista, estando, portanto, fora do escopo tradicionalmente, de fato e de direito, estruturado e sustentado por Matta e Silva na chamada Raiz de Guiné...

Damos alguns outros exemplos de deturpações surgidas no pós Matta e Silva:

1 – A Umbanda Esotérica de Matta e Silva está ultrapassada e agora passa por uma revitalização, sendo a mesma agora refundida, retificada, ratificada por um legítimo sucessor com tal prerrogativa para isso, e  que assim porta exclusividade sobre esta condição.

2 – Matta e Silva era misógino, elitista, etnocentrista e fomentava sentimentos e concepções de evolucionismo cultural e espiritual.

3 – A Umbanda Esotérica estruturada por Matta e Silva através de sua prática e da teoria exposta em suas nove obras foi na verdade: uma adaptação de conceitos, cujo objetivo principal foi, dar condições para que um suposto sucessor seu, reafirmasse mais adiante, tudo aquilo que o próprio Matta e Silva claramente se opôs, como sendo na verdade, o certo a ser seguido. Isto é, o Astral Superior após o desencarne de Matta e Silva, retorna décadas depois, reafirmando concepções que outrora foram alvo de uma séria e ampla retificação – especialmente através das obras do velho Matta --  como sendo a partir deste momento, de uma hora para outra, algo legítimo e verdadeiro por dentro das coisas de Umbanda. Ou seja, pode-se então rasgar todas as nove obras de Matta e Silva  e, seguir em frente como se nada disso tivesse existido.

3- A noção de pares vibratórios entre os Orixás, exemplo: Yorimá teria Naná Burucun como o seu par vibratório, outros ligam Xangô com Iansã neste mesmo sentido e, por ai vai uma série de distorções arbitrariamente concebidas sem qualquer base substanciada pela Lei do Verbo. 

4 – A concepção dos Exus como tendo íntima relação como os nomes dos Orixás invertidos.

5- A midiatização da Umbanda Esotérica, fortalecida pelo aparelhamento sócioeducacional, com certa necessidade de dar um encaminhamento pirotécnico e sensacionalista, objetivando atingir com isso, o maior número possível de pessoas num menor espaço de tempo -- seria essa a ´´fase de Ogum´´ em curso?.  

Todavia, essa pirotecnia pretendida, passou a midiatizar elementos preconizados na Raiz de Guiné tais como, túnicas com sinais riscados, rituais de iniciação, Cruz das Santas Almas – com a decifração pública de seus sinais sagrados, será mesmo?- e, com rituais expondo publicamente pessoas incorporadas ou mediunizadas pelo Astral ou pelo "santo".

 Com uma exposição maciça, especialmente por meio das redes sociais –- Youtube, Facebook e outros –- todo este cenário fomentado, passou a ser organizado por uma narrativa mercadológico-iniciática, insistentemente reforçada nesses canais de mídia, reforçando e reafirmando uma suposta Umbanda Esotérica reformulada.

Contudo, para quem já pratica há certo tempo a Umbanda Esotérica, além de pesquisar, estudar e seguir de fato o legado deixado por Matta e Silva, sabe-se que todo este discurso supracitado, assimila em essência, justamente as velhas concepções atávicas que não foram selecionadas para integrar os reais fundamentos e valores, expressos pela Corrente Astral de Umbanda.

E um dos principais elementos atávicos que não entram no rol dos valores selecionados é : querer fazer tão somente um ego aparecer demais, além da conta...

 

6- A elevação hierárquica de Exu ao grau de Caboclo na Lei de Umbanda, como se isso fosse, via de regra, uma rota necessariamente generalizada e estabelecida para todos os Exus de Lei.

 

7 - Sem mestre de iniciação não tem iniciação. Acreditamos que está em curso, uma reestruturação de determinados "papéis sociais" concernentes à Umbanda Esotérica.Destacamos que o papel atribuído ao ´´chefe-de-terreiro´´, dito também como ´´pai-de-santo´´ e até mesmo o que ficou entendido como "mestre de iniciação" na Raiz de Guiné, foi o mais vulgarizado e vilipendiado na era pós Matta e Silva. De fato, configurou-se uma crença insubstancial do ponto de vista interno da Umbanda, de que o ´´mestre de iniciação´´ é  um "super-humano", dotado de poderes imediatos no campo da premonição e da magia, como se a coisa toda partisse única e exclusivamente dele, e não das Entidades Espirituais.

Criou-se um mito carregado de prepotência, como se na condição de "mestre de iniciação", o indivíduo fosse assim como que por mágica, um portador de todos os ensinamentos espirituais, tântricos, mântricos, iântricos, litúrgicos, sagrados, magísticos, mediúnicos e científicos de todas as Grandes Tradições Iniciáticas do passado e do presente. Isto é, como se este dito "mestre" fosse um autêntico autóctone de cada região ou país, onde essas Tradições vigoraram de norte a sul, de leste a oeste, com ele, no centro dessa "encruza",  comportando e dando conta de toda a sabedoria de todos povos, de todos os tempos...

O problema para este tipo de indivíduo, é que a própria natureza da Lei, é inexoravelmente reguladora e atualizadora nesta regulação, de modo que, segundo as necessidades de equilíbrio de nosso sistema cármico planetário e da coletividade com a qual interagimos, inapelavelmente, mais cedo ou mais tarde a  'casa cai".


A Lei regula a tudo e a todos como sabemos, de tal modo, que, independentemente da força de vontade desse tipo de pessoa plantada na soberba e da sua diligência em preservar uma imagem supra-humana, dotada de capacidades que se encontram unilateralmente na exceção da ordem natural das coisas e de seu equilíbrio, acima das regras, este sujeito passará a viver num estado de reclusão em si mesmo e para si mesmo, ao qual chamamos: egolatria, egoísmo, narcísico, etc... Isso quer dizer que: A Lei, implica em interdependência em nossas relações, pois ninguém faz nada sozinho, ninguém pode existir sozinho e isolado como o centro do universo.

Imagine uma célula do nosso corpo se afastando funcionalmente e estruturalmente de todas as outras bilhões que lhe fornecem todo tipo de suporte, o que há de acontecer? Ou ela irá deflagrar um tumor na coletividade de células que interagem com ela ou ela irá morrer. Não é exagero de se afirmar que na nossa coletividade umbandista, a soberba está disseminada como um verdadeiro tumor superorgânico, cujos agentes ativos são os que mais esforçam-se para aparecer e, mostrar que são os melhores em tudo.  

Várias e várias evidências tem mostrado que, analisando certas ações do macrossistema, onde o Todo presta o devido suporte para as partes, quando a necessidade vital é um fato, temos que:

- A iniciação espiritual na Lei de Umbanda não depende inexoravelmente ou tão somente de um ´´mestre de iniciação´´ para ser legitimada na vida do individuo. 

- Pois de acordo com as necessidades inerentes a situação cármica da pessoa, o Astral Superior poderá conjugar determinadas situações, que não necessariamente precisem da vinculação direta do ´´mestre de iniciação´´ sobre o iniciando, para que este por seu lado, possa ser de fato assistido em suas necessidades espirituais. 

- Aqueles que não são capazes de relativizar este tipo de situação e recorrer a velha humildade preconizada pelos nossos maiores, podem acabar por trazer sérios desequilíbrios morais-espirituais-cármicos sobre si mesmos e sobre o tal iniciando. 

O que deveria ser sempre considerado? 

- Quem traz a devida legitimidade, sobre tudo o que é processado no caminho iniciático do indivíduo, é  quem pode interferir diretamente no carma do médium-iniciado. 

- Sabemos que somente o Astral Superior pode fazer isto e, autenticar o selo mediúnico  no devido grau iniciático que o médium traz na presente encarnação.

- O  mestre de iniciação é desse modo, tão somente um veículo para quem tem de fato, a energia potencial e cinética da vida espiritual para, movimentar, equilibrar e concretizar na Lei, a iniciação do indivíduo, ou seja: o próprio Astral Superior com a outorga dos seus Tribunais Cármicos, cujas ordens para os devidos reajustes são executadas pelas Entidades Astrais, ditas por isso mesmo como sendo da Lei de Umbanda.

Logo, na dependência do carma de cada um, não necessariamente a iniciação implica na passagem deste indivíduo por um ´´mestre de iniciação´´, pois que se o primeiro decair por fatores morais-espirituais ou se o mesmo não puder estar presente , o Astral dispõe de outras vias, para que o caminho iniciático seja levado a contento. Pois acima de tudo, o que se objetiva na iniciação é que a estrada do iniciado seja substanciada pelo próprio plano do seu Espírito, e não pela individualidade do seu mestre, ainda que este seja um mestre legitimo. Assim, é  dito como: ´´em razão e em verdade do meu Espírito, na proteção de minha Entidade de Guarda.´´

Em face de um grande estrago promovido na era pós Matta e Silva, que repercute com grandes proporções astrais e humanas, tivemos um ocaso do Sol Astral, que outrora vigorou na Antiga TUO Mater em Itacuruça. Contudo, isto deu-se, não em razão do desencarne do velho Matta, mas, em face da ordem nefasta das sucessivas violações que passaram a ser construídas às custas do seu legado original, passando com o tempo, a serem retificadas, ratificadas e naturalmente difundidas de modo falso e cruel, como um  "autêntico conhecimento da lei de Umbanda". 

Portanto, concluímos que: o que já era difícil, desde a época de Matta e Silva, ganhou tremendas proporções com intricados problemas, em todos os sentidos em termos de dificuldades.

Pois se antes o panorama de luta que se configurava no cenário de atuação de Matta e Silva, era mais polarizado e destacado por certas frentes com práticas e rituais notadamente atávicos, que encaminhavam toda uma prática imersa em um mar de ignorância e exploração da fé, agora, este mesmo espírito atávico de todos os tempos, surge sob a capa de um questionável mestrado na Umbanda Esotérica, robustecido por um rito harmônico sem palmas e sem batuques, com médiuns portando túnicas azuis longas com sinais de pemba bordados,  com terreiros supostamente autenticados em razão da decoração preconizada pela Raiz de Guiné com: a meia-lua em amarelo, com a Cruz da Santas Almas acesas nos seus quatro cantos e tudo isso, regado ainda, com harmoniosos pontos cantados de raiz, dados pelas nossas Entidades Astrais no passado. 

Em suma,  certos lobos vestidos de ovelha passaram a seguir direitinho toda a cartilha, como manda o figurino da Umbanda Esotérica, na certeza de que a Lei sofrerá as devidas flexibilizações e inclinações necessárias a fim de  favorecer seu conforto e necessidades psicológicas...Quando na verdade, se somos regulados e reajustados pela Lei, jamais estaremos acima dela.

Aparelhos de Umbanda: Alerta! 

Aparências não identificam o saber e nem as Eternas Verdades ensinadas pelo Astral Superior! Nem mesmo as coisas que foram moldadas pela prática na Raiz de Guiné e que são ilegitimamente usadas em nome Dela...

Santa Paz!

Tarso Bastos